segunda-feira, 24 de agosto de 2020

PADRE ROBSON DO SANTUÁRIO DO DIVINO PAI ETERNO É ACUSADO DE DESVIAR DINHEIRO DA AFIPE



 Padre Robson tem direitos de realizar celebrações suspensos temporariamente, em Goiás

O arcebispo metropolitano Dom Washington Cruz suspendeu temporariamente neste domingo (23) o direito de realizar celebrações do padre Robson de Oliveira, investigado por supostos desvios de dinheiro de doações para comprar fazendas, casa na praia e outros itens de luxo. O religioso, que era reitor da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, nega qualquer irregularidade.



Segundo a nota à imprensa o objetivo é “tutelar os fiéis e garantir a imparcialidade das investigações”. Padre Robson pediu afastamento da Afipe na sexta-feira (21), após o Ministério Público realizar a Operação Vendilhões.

De acordo com as investigações, em dez anos, a Afipe movimentou R$ 2 bilhões. O MP apura se R$ 120 milhões foram usados para finalidades fora das atividades religiosas. Entre as transações investigadas estão a compra de uma fazenda no valor de R$ 6,3 milhões e uma casa de praia na Bahia por R$ 2 milhões.

Entre anos de 2016 e 2018, os donativos atingiram um montante de mais de R$ 746 milhões, de acordo com o órgão, que investiga se parte do valor, aproximadamente R$ 120 milhões, foi desviado para empresas e pessoas investigadas no processo.

De acordo com o MP, a Afipe se tornou “uma grande empresa”. Algumas empresas com as quais a associação negociava tinham os mesmos sócios e funcionavam no mesmo endereço.

CASO DE EXTORSÃO ORIGINOU AÇÃO

De acordo com o MP, a operação se originou por conta de outra investigação vinculada ao padre Robson. Conforme o apurado, na ocasião, o religioso, após ser vítima de extorsão, "utilizou indevidamente recursos provenientes de contas das associações que preside".

Um hacker chegou a ser condenado em março do ano passado por extorquir R$ 2 milhões do padre, ameaçando revelar um suposto caso amoroso. Porém, a polícia apontou que as mensagens usadas na tentativa de extorsão eram falsas.

A investigação apontou que o padre foi extorquido durante dois meses, entre março e abril de 2017, e que teria repassado parte do valor solicitado usando dinheiro da Afipe. No entanto, na ocasião, a entidade disse que “não teve nenhum prejuízo financeiro e todo o valor já voltou para a instituição”.

De acordo com as investigações, o dinheiro foi repassado por meio de transferências bancárias e entregas em espécie. Os pagamentos eram feitos em quantias de R$ 50 mil a R$ 700 mil. Em alguns casos, o valor era deixado dentro de um carro na porta de um condomínio ou no estacionamento de um shopping da capital. Uma das entregas foi supervisionada pela Polícia Civil a fim de identificar e localizar todos os criminosos.


(Fonte: G1 Goiás)



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