terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

COVID-19: CIDADES VACINAM PROFISSIONAIS FORA DA LINHA DE FRENTE DA COVID-19 ANTES DE IMUNIZAR IDOSOS

Casos levantaram críticas de especialistas e questionamento da Justiça. Ministério da Saúde enviou ofício a secretários alertando que nem todos profissionais de saúde devem ser vacinados nas primeiras fases da campanha.

"Desordem", "falta de planejamento" e "erro". Especialistas ouvidos pelo G1 analisam de forma negativa um dos aspectos das primeiras semanas da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. O alvo da crítica são as cidades menores que passaram a vacinar profissionais da área de saúde que não atuam na linha de frente do combate à pandemia como:

Biólogos, psicólogos e educadores físicos, entre outros profissionais, ganharam prioridade em locais onde as doses não começaram a chegar aos idosos.

Nesta segunda-feira (8), mais de duas semanas depois de lançar a segunda versão do Plano Nacional de Imunizações (PNI), o Ministério da Saúde enviou um alerta aos secretários de saúde: é preciso seguir os grupos prioritários. Trabalhadores de saúde em geral que não atuam diretamente contra a Covid-19 não devem ser vacinados agora.

"Ao que parece, faltaram parâmetros aptos a guiar os agentes públicos na difícil tarefa decisória diante da enorme demanda e da escassez de imunizantes", escreveu o ministro Ricardo Lewandowski.

"Os municípios que estão vacinando esses grupos [qualquer profissional que não faça parte da linha de frente] estão fazendo errado", afirma Otsuka.

O infectologista afirma que a discussão deveria ser aquisição do governo de mais vacinas, mas, enquanto isso não acontece, os gestores devem lembrar que, sem o profissional da saúde da linha de frente, não há o enfrentamento à pandemia.

"O Brasil está com uma grande dificuldade em ter profissional da saúde atuando na linha de frente contra a COVID-19. As equipes sofreram muitas perdas de médicos e enfermeiros que se contaminaram. Isso reduziu muito a força de trabalho. Precisamos protegê-los", diz Ostuka.

Para o infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia, diante da escassez, é preciso seguir os critérios técnicos.

"Temos que ter uma comissão de técnicos, sem interferência política, que seja capaz de escolher quais são as áreas de maior risco a doença. Essa prioridade pode mudar de local para local, mas o primeiro grupo a ser vacinado deve ser sempre o que está apresentando o maior número de óbitos e os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente", diz Grinbaum.


"Estamos vendo uma completa desordem e uma falta de planejamento na vacinação contra a COVID-19. Estamos vendo profissionais da saúde aposentados sendo vacinados, parentes de pessoas influentes, e etc.", afirma o infectologista Grinbaum.

Por outro lado, ele aponta uma categoria de profissionais da saúde na linha de frente que corre o risco de acabar invisível.

"Alunos de medicina no internato e residentes que têm contato direto com a COVID-19 não estão sendo vacinados pelo fato de não terem um diploma ou de não serem contratados do hospital. Por aí vemos que é um planejamento precário de vacinação" - Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia

Atualmente, os grupos prioritários listados no PNI somam mais de 77,2 milhões de brasileiros, número muito maior do que as 10,7 milhões de doses que o Ministério da Saúde entregou até janeiro.

Mesmo considerando as remessas que o país espera receber neste trimestre – até o final de março, devem chegar 27,37 milhões de doses da Coronavac, assim como 1,6 milhão de doses enviadas pelo consórcio Covax e 7,5 milhões de doses do imunizante da Universidade de Oxford/Astrazeneca. A quantidade não é suficiente para vacinar nem mesmo um quarto dos 27 grupos estabelecidos como prioritários.

"As primeiras prioridades do programa de vacinação da Covid-19 devem ser a prevenção da mortalidade e a manutenção dos sistemas de saúde e assistência social. Como o risco de mortalidade pela Covid-19 aumenta com a idade, a prioridade se baseia principalmente na idade. A ordem de prioridade para cada grupo na população corresponde aos dados sobre o número de indivíduos que precisam ser vacinados para evitar uma morte", explica o documento, publicado no site do NHS.

Lewandowski manda governo definir ordem de grupos com prioridade para a vacina contra Covid-19, Ministro diz que ordem de preferência entre esses grupos não está clara no Plano Nacional de Imunização e pede que grau de risco seja usado como critério. Prazo é de cinco dias.


FONTE: G1

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