terça-feira, 11 de agosto de 2020

OS RISCOS CONTINUAM PARA QUEM JÁ SE "CUROU" DA COVID-19


PACIENTES CURADOS DO CORONAVÍRUS PODEM TER SEQUELAS RESPIRATÓRIAS, CARDÍACAS E NEUROLÓGICAS

Os impactos deixados pelo coronavírus no corpo humano ainda são uma questão em aberto e alvo de muitos estudos nos últimos meses. Após a recuperação, pacientes que apresentaram a forma mais severa da COVID-19 e precisaram de internação têm ficado com sequelas. Por ser uma doença nova, ainda não se sabe a duração dos efeitos do vírus.



Como se trata de uma doença respiratória, as principais sequelas deixadas pela COVID-19 nos pacientes recuperados estão nos pulmões. No entanto, estudos recentes têm encontrado impactos cardíacos e até neurológicos em algumas pessoas.

Médico pneumologista e presidente da Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia (Acapti), Fábio José Fabrício de Barros Souza explica que as lesões aparecem, principalmente, em pacientes que precisam de ventilação mecânica (respiradores) e acabam ficando um tempo maior na UTI.

- É comum ter tosse e falta de ar por lesões fibrosantes. O coronavírus tem uma predileção pelos terços inferiores dos pulmões, ele dá uma área que a gente chama de “vidro fosco” na periferia dos pulmões, fica uma parte meio acinzentada. É justamente ali onde acaba tendo uma maior lesão sequelar, causando essa fibrose. A função pulmonar não fica totalmente normal, a pessoa fica com fadiga, cansaço, sem conseguir desempenhar as mesmas funções como fazia antes - explica o médico.

Souza diz que a maioria dos pacientes acaba se recuperando com o passar o tempo, mas os mesmos fatores de risco do início da doença também aparecem como complicadores depois da COVID-19. Problemas cardíacos, obesidade e outras comorbidades tornam a recuperação mais lenta, conforme a análise do médico em pacientes que deixaram a UTI.

Publicações recentes nas revistas científicas New England Journal of Medicine e Brain listaram sintomas neurológicos que foram identificados em pacientes com COVID-19 que deixaram o hospital. Pontos como dificuldades cognitivas e confusão mental foram notados, além de dor de cabeça, perda de olfato e até mesmo hemorragias e trombose.

- É extremamente intrigante e não sabemos porque o vírus causa tantos problemas neurológicos. A via olfatória é uma possível porta de entrada, mas não apenas ela justificaria os problemas psiquiátricos - disse a neurologista do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unicamp, Clarissa Lin Yasuda.

Já em relação aos danos no coração, um estudo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, apontou que o músculo cardíaco pode ser afetado pelo coronavírus e apresentar danos mesmo em pacientes que não tinham problemas cardíacos antes de contrair o vírus. Os relatos apontam sintomas de insuficiência cardíaca, e ainda não se sabe a duração dos sintomas.


No Brasil, um estudo em andamento no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-USP) está investigando a perda de olfato sentida pelos pacientes com COVID-19. Cerca de 5% das pessoas que deixaram de sentir cheiros por causa da doença não recuperaram o sentido dois meses depois do início dos sintomas.

O estudo foi feito com 650 pacientes e, para os pesquisadores, indica que é possível uma perda de olfato permanente após o coronavírus, mas com chances pequenas. Conforme os pesquisadores, a recuperação é mais fácil para quem é diagnosticado mais cedo e também começa um tratamento precoce para reverter às sequelas depois de se curar da COVID-19. 




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